No último dia 15 de outubro, a FUNDASUL comemorou o dia dos professores com um agradável encontro dos profissionais da Instituição, integrando reflexão, lazer e confraternização.
Inicialmente o Presidente Sr. Rubem Carlos Serafini Machado trouxe sua mensagem aos docentes da FUNDASUL. O Diretório Acadêmico representado pela Presidenta Angelica da Silva Santana e Secretário Douglas Rodrigues Pereira, parabenizaram os docentes em nome de todos os alunos e após cumprimentaram a cada um dos presentes fazendo a entrega de flores e bombons com mensagem.
A seguir a Profª Jussara Jaquês, Diretora, apresentou ao grupo a Profª Dra. Adriana Justin Cerveira Kampff, da PUCRS, para proferir a palestra: “As novas gerações e interações em redes sociais”.
Com o objetivo de estar constantemente atualizando e formando novos conceitos sobre a educação, o grupo de professores dos cursos técnicos e de graduação desenvolveu, na manhã de sábado, a proposta de formação continuada, que inclui o grupo de docentes nas discussões sobre a função da tecnologia no fazer educacional contemporâneo, frente às tecnologias e às novas gerações. A palestra antecedeu o almoço de confraternização pelo dia do professor.
As novas Gerações e Interações em Redes Sociais
(adaptação da palestra)
Vivemos em tempos de Sociedade Transparente (Vattimo, 1992), tempos em que comunicar é muito mais do que transmitir ou compartilhar. Comunicar é coabitar (Wolton, 2006, 2010). Dialogamos, negociamos e mediamos para apoiar e sustentar relações saudáveis entre as pessoas e configurar vínculos baseados na confiança.
De que maneira o saber da comunicação pode apoiar escolas e instituição de ensino superior a, cotidianamente, negociar a convivência entre lógicas e interesses distintos?
O tempo sempre esteve associado à história, às noções de passado-presente-futuro e o espaço como algo visível e resultado da ação humana. Com o surgimento e expansão dos meios de comunicação, essa noção foi posta em questionamento pelo acesso que não só dispensa fios, mas se diversifica com o computador, com a internet,com o celular. Espaço, tempo e diferenças diminuem e quase inexistem pela instantaneidade com que a comunicação se estabelece em um tempo que não é mais histórico, mas real, e em um espaço que deixa de ser visível e passa a ser virtual. Por essa razão, passamos a conviver com uma noção de espaço-tempo que escapa de nossa percepção.
A superação tecnológica, quase diária, qualifica e modifica os recursos de informação. Esse processo tem impacto direto nas relações interpessoais e sociais. Desde o celular até as redes sociais proliferam meios que redefinem o espaço-tempo e os lugares no processo de comunicação. Receptores e emissores de mensagens coexistem simultaneamente, mesmo que situados em territórios geograficamente distintos, porém aproximados por interesses e narrativas em comum. Compreender a nova configuração das trocas comunicacionais e avançar no uso adequado dos recursos de interatividade é imprescindível para alcançar a coabitação, por meio da qual será possível estabelecer comunidades de partilha com os agentes de interesse, reduzindo assim, os riscos da incomunicação.
O paradigma das redes sociais redefine as formas de relacionamentos e de mobilização coletiva na contemporaneidade. A partir da troca de mensagem mediada, são estabelecidas comunidades de interesse aceleradas e aproximadas pela internet que resultam na circulação ampla de ideias e incorporação constante de novos interlocutores baseados na busca de algo em comum, que, entre outras causas, pode ser a da transformação social. Com baixa configuração hierárquica, simetria entre os interlocutores e horizontalidade, a rede proporciona a circulação intensiva de informação e conhecimento com forte potencial para promover a adesão às ideias partilhadas, à colaboração e, eventualmente, à ação. Diante desse potencial, as redes sociais têm, naturalmente, assumido lugar como espaço de participação das juventudes.
Nesse novo contexto, a pergunta que se faz é de que maneira o saber da comunicação pode apoiar escolas e instituição de ensino superior a, cotidianamente, negociar a convivência entre lógicas e interesses distintos?
As respostas à essa questão dependem exclusivamente da relação do profissional em educação com as novas realidades e da formação continuada como meio de entender que desenvolver relações de afeto com as exigências tecnológicas é determinante para a prática docente.
“Uma cultura tecnológica de base também é necessária para pensar as relações entre a evolução dos instrumentos (informática e hipermídia), as competências intelectuais e a relação com o saber que a escola pretende formar. Pelo menos sob esse ângulo, as tecnologias novas não poderiam ser indiferentes a nenhum professor, por modificarem as maneiras de viver, de se divertir, de se informar, de trabalhar e de pensar. Tal evolução afeta, portanto, as situações que os alunos enfrentam e enfrentarão, nas quais eles pretensamente mobilizam e mobilizarão o que aprenderam na escola.” (Perrenoud).